Youtube Twitter Facebook Instagram

Sábado - 23.03.2019

Encoerto com chuva bem isolada em Santa Catarina


MÍNIMA: 13º - MÁXIMA: 23º

Diário Rio do Peixe

Sábado - 23.03.2019

Encoerto com chuva bem isolada em Santa Catarina


MÍNIMA: 13º - MÁXIMA: 23º

Colunistas

Breve análise do novo Presidente da República, Jair Bolsonaro, e seu executivo

Devo começar por dizer que, desde a primeira hora desejei que as eleições gerais de 2018 fossem de renovação política, mudança de ideológia e forma de governar o país.

14/01/2019 - 01:41:59
José Luís de Castro

O que, perante os vários candidatos presidenciais, sempre achei que isso só seria possível com o capitão Jair Bolsonaro, até pelo forte apoio que recolhia junto da população mais jovem. Nunca fui de seguir "mitos", de gritar em coro ou sequer de seguir determinados lideres como se membro de uma manada fosse. Sempre fui apartidário, embora com fortes ideais de direita democrática e liberal.

Dito isto, acho que o Brasil fez o correto nas últimas eleições gerais de 2018, porquanto deu voz a novas caras e atores políticos, impediu a reeleição de quem, na generalidade, não merecia mais representar os brasileiros e de certa forma unificou-se na vontade coletiva de sentir orgulho na sua bandeira nacional, no hino e na pátria. Os valores nacionais foram relançados e estiveram muito presentes nas eleições e depois destas até aos dias de hoje (e para assim continuar).

Julgava eu que o Brasil iria arrasar com o PT e os partidos de base de apoio aos últimos governos (Lula, Dilma e Temer). Não foi exatamente assim, pois o PT sobreviveu, pese embora ainda esteja envolto em muitos casos judiciais e políticos algo controversos (por exemplo, em matéria de apoio internacional a regimes autoritários como na Venezuela com apoio expresso ao Maduro).

É certo que esperava maior baixa eleitoral do PT, PCdoB e PMDB, depois de tantos anos de mau governo do país e tantos casos de corrupção, deixando uma dívida pública incalculável ainda hoje.

É certo que esperava mais debate político, sério e capaz, do que se realizou; desejava mais elevação dos candidatos presidenciais, mas isso seria esperar muito da atual política brasileira que não muda de um dia para o outro.

É também certo que nunca considerei - como o fez (ou tenta ainda fazer) alguma mídia e uma certa crítica de esquerda - o homem Jair Bolsonaro um político de extrema direita ou radical nas suas posições e ações, presente ou do passado. Pouco conhecia (ou conheço ainda) do seu pensamento político sobre certos temas, mas achei muito humilde e honesto de sua parte, reconhecer publicamente as suas deficiências e fragilidades em matéria econômica e números, dizendo que isso é com o seu ministro da economia. De igual modo, ao tornar público que deu carta branca ao ministro Sérgio Moro para prosseguir com o combate à corrupção, diz muito do que pretende para a área da Justiça. 

É certo que existe uma vontade generalizada e coletiva - pouco importa se maioritária ou minoritária - a querer mudar de ciclo político, de rumo para o país, recuperando valores perdidos nos governos petistas. Existe tanto por fazer na saúde, educação, combate à pobreza, proteção e  segurança, justiça e ética que já não se aguenta mais falar só de igualdade de gênero. Já não se aguenta mais demagogia política, foro privilegiado para alguns e impunidade.

Dito isto, considero que pouco interessará ao país discutir se o novo governo irá ter Ministério do Trabalho ou não? Relevante é que a ação política e as reformas se realizem para benefício de todos. Já a extinção da Justiça do Trabalho, se avançar é preocupante, pois configurará, a meu ver, um retrocesso na justiça. Ao invés, o Brasil necessita avançar com mais tribunais especializados, à semelhança do que acontece na maioria dos países desenvolvidos (tribunal de comércio, de falências e insolvência, tribunais administrativos, de propriedade intelectual e industrial, entre outros).

Acho relevante que se simplifique a legislação vigente, criem procedimentos-tipo nos licenciamentos ambientais, industriais, loteamentos e infraestruturas públicas ou privadas que contribuam para o desenvolvimento do país. E, por último, considero que o novo Presidente da República e o seu elenco executivo não serão os 'salvadores da pátria', nem se espera que o sejam, mas já terão o meu forte apoio e aplauso se conseguirem estabelecer as bases essenciais para a vida das pessoas e o crescimento econômico e social do Brasil, com reforço de energias nas áreas da saúde, educação, justiça e segurança pública. 

De pouco importa se vão vestidos de azul, rosa ou 'amarelo as bolinhas', só se preocupa com o secundário quem não tem soluções ou propostas para apresentar ao país. Fiquem bem e na companhia de Deus, é o meu desejo.José Luís de Castro

José Luís de Castro

Advogado / Lawyer and Senior International Advisor (especialista em Direito Europeu e Direito Público e da Energia)

Espalhe essa coluna:

© 2011 - 2019. Todos os direito reservados a Editora Rio do Peixe.