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Estiagem x Irrigação

Em função disso, é importante que os agricultores da região se preparem em dois aspectos: Armazenamento da água e sistemas de irrigação

01/08/2016 - 14:00:45
Charles Seidel

Segundo a Epagri/CIRAM, a transição inverno/primavera será de pouca chuva com valores próximos a abaixo da média e não se descarta a possibilidade de períodos de estiagem. Agosto deve seguir o padrão observado, nos meses de junho e julho, de períodos prolongados sem chuva, no entanto poucos episódios de chuva podem alcançar o total esperado para o mês.

Em função disso, é importante que os agricultores da região se preparem em dois aspectos: Armazenamento da água e sistemas de irrigação.

O primeiro ponto refere-se ao fato que muitos produtores deixam para última hora para estocar a água a fim de fazer a irrigação ou mesmo para dessedentação dos animais. Pensando em uma primavera com pouca chuva, é necessário se precaver.

Não é à toa que a agropecuária utiliza mais de 70% da água doce disponível, pois o volume necessário para irrigar é alto. Como exemplo podemos citar um produtor que deseja irrigar 1ha de tomates. A evaporação média nos meses de primavera verão fica em 3,8mm por dia. Considerando a Evapotranspiração, para tomate que tem picos que se soma uns 10% de perda de água, devido ao crescimento vertical da planta e grande demanda de água. Então vamos considerar 4mm/dia. Isso significa que em cada metro quadrado, se perdem 4 litros de água. Um hectare tem 10000 m², portanto são necessários 40000 litros para repor a água perdida em um único dia. Considerando que a safra pode durar 5 meses (150 dias), seriam necessários 6 milhões de litros de água, ou seis mil caixas de água por cada hectare cultivado.

Quanto aos sistemas de Irrigação, hoje é cada vez mais importante se precaver com sistemas fixos, de preferência localizada, que facilitam o manejo, reduzem o consumo de água, e permitem menos gasto com mão de obra, que além de escassa está cara.

Lembrando que todo agricultor deve fazer o cadastro de usuário de água. Eu tenho alertado em minhas palestras que se faça um cadastro com o máximo de exatidão possível, inclusive colocar a mais, se a curto prazo pretende ampliar a área de cultivo. A gente vê que alguns acabam cadastrando um volume bem menor do que utilizam com medo de uma possível cobrança pelo uso. Mas cabe ressaltar, que, em época de crise ocorrem conflitos de uso, e terão prioridades de uso aqueles que fizerem o cadastro, bem como, sempre buscando respeitar as quantidades cadastradas. Embora acima de tudo, deverá ser garantida a água para consumo humano. Essa é a prioridade número um em caso de estiagem.

Quanto a cobrança do uso de água, ela depende de vários fatores, da outorga, que ainda não é feita para produtores rurais da nossa região. A outorga é uma competência das Agências de Águas, que ainda não temos funcionando em nosso estado.  Se ocorrer, deverá ser de forma a isentar os pequenos produtores, fontes de abastecimento humano e consumos baixos. Essa é uma luta dos Comitês de Bacia, mas assunto de uma próxima coluna.

Charles Seidel

Eng. Agrônomo, Prof. Universitário. M.Sc. Engª Agrícola. Gestão da água, climatologia e agroeocologia

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