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Colunistas

Características socioculturais do mundo globalizado

É preciso refletir, rever comportamentos e avaliar o jeito de ser cristão e cristã nesse mundo com tantas diferenças e mudanças

19/06/2016 - 22:31:24
Dom Frei Severino Clasen

A sociedade hodierna vive momentos de ebulição. Cresce cada vez mais o individualismo, o intimismo e grandes diferenças entre as gerações manifestam tensões familiares e institucionais tanto na Igreja quanto na sociedade. As grandes mudanças exigem um olhar cauteloso e audacioso para buscar o equilíbrio e alegria do bem viver.  Aumenta a responsabilidade do cuidado para com a casa comum. O documento da CNBB sobre os Cristãos leigos e leigas nos apresenta algumas características próprias.

Neste mundo globalizado, a sociedade se organiza a partir de um aspecto global que inclui as diferenças econômicas, sociais, políticas, culturais e religiosas, acentuando o indivíduo. Trata-se de uma sociedade individualista. Desse modo, o mundo globalizado apresenta as seguintes características socioculturais:

Inserção individual no mercado das ofertas. Cada um, como centro de escolhas e práticas, se inclui no mercado das ofertas de produtos materiais e simbólicos mundialmente disponíveis. Do ponto de vista das interações sociais, é possível manter-se na mais reservada intimidade e, sem deslocar-se de seu espaço físico, conectar-se pelas redes virtuais com o outro distante que, por sua vez, se mantém em seu anonimato. 

Enfraquecimento das relações de mutualidade. Esse modo de socialização enfraquece as relações de mutualidade, de reconhecimento dos direitos alheios e comuns, assim como de comprometimento recíproco. Esse isolamento acontece no espaço doméstico das relações familiares, no espaço público, nas relações anônimas dos pequenos e grandes aglomerados e nas concentrações de massa.

Afirmação de identidades grupais. De outra parte, no bojo do mesmo processo podem-se verificar formas de reação social na afirmação de identidades grupais, não tanto pela via da organização sociopolítica, mas pela via da etnia, da religião, do gênero ou de outras causas que agregam adeptos de modo duradouro ou momentâneo. Essas tendências de afirmação de identidade buscam reagir à fragmentação individual ou à massificação anônima. Em muitos casos, negam os modos de vida da cultura dominante e se afirmam em valores e padrões resgatados do passado. Situam-se aí grupos variados: os fundamentalistas, as tribos urbanas, as comunidades alternativas, alguns grupos religiosos.

Comportamento uniformizador, autoritário e, em muitos casos, sectário. É o que acontece com comunidades isoladas e com formas de comunitarismo sectário. Nessa direção, crescem também formas mais dispersas de agregação que se manifestam publicamente para protestar contra causas específicas ou contra a ordem instituída, a elas aderem pessoas sem a devida reflexão, discernimento ou consciência de quais valores estão em jogo.

A reinstitucionalização como caminho de afirmação de padrões e valores. É uma forma usada por diversos grupos, sobretudo os de caráter tradicional, como garantia de segurança e ordem na sociedade plural e desordenada. A retomada da autoridade como fonte de verdade, de organização e de disciplina, a afirmação da lei como único meio de controle social e, muitas vezes, a opção por regimes autoritários constituem estratégias difusas presentes em instituições e grupos na sociedade atual. 

A pluralidade ética, cultural e religiosa. A pluralidade é cada vez mais vivenciada em todas as esferas das relações humanas e presente nos valores, nas convicções e práticas. De um lado, há o colapso das ideologias tradicionais com o agudo relativismo de valores culturais e religiosos; de outro, o retorno a práticas religiosas tanto na perspectiva novidadeira da cultura atual, quanto na recuperação de um passado que já caducou. A sociedade atual se torna, muitas vezes, campo de uma verdadeira batalha espiritual, misturando o sagrado com ideologias culturais, políticas e econômicas, o que reduz as Igrejas e as religiões a mera parte do sistema maior, regido, em última instância, pelas escolhas individuais. (n. 77).

É preciso refletir, rever comportamentos e avaliar o jeito de ser cristão e cristã nesse mundo com tantas diferenças e mudanças. Confiar na ação do Espírito Santo, nos dá forças para construir um mundo melhor, mais digo e justo. Não podemos nos acomodar. É preciso encontrar-se com Jesus Cristo e nele aquecer nossas relações para uma verdadeira e salutar fraternidade universal.

Dom Frei Severino Clasen

Ele nasceu em 1954, em Petrolândia (SC), foi ordenado padre em 1982 e bispo em 2005. Estudou Filosofia e Teologia em Petrópolis (RJ). Tem pós-graduação em Administração para a Organização do Terceiro Setor na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Além disso, foi coordenador do Departamento de Santuários da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e fez parte do Conselho Diretor do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), do Convento de São Francisco, em São Paulo.

Na 49ª Assembleia Geral da CNBB, dom Severino foi eleito presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, com um mandato de quatro anos.

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