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O Rosto da Misericórdia

“Uso de misericórdia por mil gerações para com os que amam e guardam os meus mandamentos” (Dt 5,10)

24/06/2015 - 15:14:33
Dom Frei Severino Clasen

  A carta do Papa Francisco proclamando o Ano da Misericórdia, é um convite para uma reflexão profunda e serena sobre a vida. Os dias atuais são carregados com tantas dificuldades no relacionamento, seja em muitas famílias, no ambiente de trabalho e em outras comunidades de fé que nos convocam para uma análise sobre nossos comportamentos.

  Diz o papa Francisco no início de sua carta: “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nestas palavras a sua síntese. Tal misericórdia torna-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré. O Pai, “rico em misericórdia” (Ef 2,4), depois de ter revelado o seu nome a Moisés como “Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel” (Ex 34,6), não cessou de dar a conhecer, de vários modos e em muitos momentos da história, a sua natureza divina. Na “plenitude do tempo” (cf. Gl 4,4), quando tudo estava pronto segundo o seu plano de salvação, mandou o seu Filho, nascido da Virgem Maria, para nos revelar, de modo definitivo, o seu amor. Quem o vê, vê o Pai (cf. Jo 14,9). Com a sua palavra, os seus gestos e toda a sua pessoa, Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus.

  Precisamos sempre contemplar o mistério da misericórdia. È fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso coração” (Misericordiae Vultus, 1-2).

  A Sagrada Escritura nos oferece inúmeras reflexões sobre essa temática. A falta de sensibilidade e de coração aberto para as pessoas distancia e esfria o relacionamento humano e toda a sociedade sai perdendo.

  Cabe a nós estarmos atentos às propostas que aquecem nossos corações e deixarmos que a força da misericórdia nos aproxime, nos una e nos torne mais humanos.

  A experiência da misericórdia, em nossa família, enriquece o ambiente e as crianças crescem regadas pela ternura e pelo amor sincero. O ambiente de trabalho, a fábrica, a empresa, o escritório, o comércio, a agricultura, os estabelecimentos de ensino, enfim, qualquer lugar onde o ser humano se encontra, ganha com as pessoas dotadas de espírito misericordioso, porque elimina toda a vaidade, o espírito de vingança e a competição gananciosa que provocam rancor e clima tenso e desastroso.

  No ambiente educacional, inspirados na misericórdia, professores, alunos e direção se ajustam no sentimento de pertença e desejo imenso que enaltece o verdadeiro desenvolvimento humano e a educação coerente e necessária para o equilíbrio social. Nos estabelecimentos públicos as ingênuas concorrências são eliminadas pelo espírito misericordioso porque a vida não está construída a partir do egocentrismo do poder e do agir em vista das próximas eleições, mas está sedimentada no governo do bem comum e na responsabilidade do cuidado do povo, porque a misericórdia se afina com a ética, com a verdade e com a justiça.

  Assim, poderíamos continuar citando os espaços sagrados onde o coração bom faz a sua morada e o espírito de gratidão e de perdão que gera cada vez mais amor ente as pessoas.

  Que o Ano da Misericórdia nos proporcione um novo jeito de conviver e de nos aceitarmos como irmãos e irmãs, vivendo e buscando o clima favorável para o bem comum entre todas as pessoas feitas a imagem e semelhança de Deus. 

Dom Frei Severino Clasen

Ele nasceu em 1954, em Petrolândia (SC), foi ordenado padre em 1982 e bispo em 2005. Estudou Filosofia e Teologia em Petrópolis (RJ). Tem pós-graduação em Administração para a Organização do Terceiro Setor na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Além disso, foi coordenador do Departamento de Santuários da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e fez parte do Conselho Diretor do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), do Convento de São Francisco, em São Paulo.

Na 49ª Assembleia Geral da CNBB, dom Severino foi eleito presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, com um mandato de quatro anos.

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