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O que é espiritualidade cristã?

Estamos no Tempo da Quaresma. Período do ano em que nos reclinamos sobre nós mesmos e buscamos respostas para a vida interior. Silenciar significa deixar a voz de Deus mobilizar nossos sentimentos e esperanças

03/03/2015 - 13:48:43
Dom Frei Severino Clasen

  Estamos no Tempo da Quaresma. Período do ano em que nos reclinamos sobre nós mesmos e buscamos respostas para a vida interior. Silenciar significa deixar a voz de Deus mobilizar nossos sentimentos e esperanças.

  A temática da Campanha da Fraternidade desse ano tem como objetivo fomentar a fraternidade entre os seres humanos, como membros da Igreja e da Sociedade, tema explícito no lema “Eu vim para servir” (Mc 10,45), que convoca a todos para uma importante reflexão. Nasce a partir dessa reflexão uma espiritualidade cristã pura e verdadeira.

  Pe. Nelito Nonato Dornelas, da Diocese de Governador Valadares, contribui para essa reflexão. “Espiritualidade cristã pode ser definida como a vida segundo o Espírito de Cristo, a experiência de Deus no seguimento de Jesus Cristo, a vivência do Evangelho, uma maneira precisa de viver ante o Senhor em solidariedade com todos os seres humanos. Essas definições convergem para um mesmo ponto: o seguimento de Jesus Cristo. Jesus é o Caminho a ser seguido e o Espírito, enviado por Ele, é a força que nos move no caminho. Daí surge a expressão usual nas Comunidades Eclesiais de Base de caminhada. Pela força do Espírito, quem coloca o Pé na Caminhada descobre como viveu Jesus sua história, para aprender a viver não sua história, mas sim a nossa. Espiritualidade é aquela atitude que coloca a vida no centro, que defende e promove a vida contra todos os mecanismos de morte, de diminuição ou de estancamento.

  Daí a necessidade de uma espiritualidade esclarecida. É somente Deus quem pode esclarecer nossa espiritualidade e o lugar onde se concentra maior luminosidade é no Evangelho, por se tratar da experiência de Jesus de Nazaré, o Emanuel encarnado na história, o encontro com as realidades humanas, tocando-as com amor e liberdade e, afirmando diante de cada uma delas: isto é o meu corpo, isto é o meu sangue. Fazendo dessas realidades cotidianas, por mais dramáticas e desafiantes que sejam, o Caminho, a Verdade e a Vida. (Jo 14,6). E mais, deu aos seus seguidores esta ordem: tudo o que vocês fizerem, façam-no em minha memória. Essa é uma espiritualidade eucarística, como nos alerta o Apóstolo Paulo para que nos esforcemos por nos oferecer a Deus como hóstias vivas, num sacrifício agradável a seus olhos (1 Tes 5,23-24).

  A visão religiosa ou teológica pressupõe uma linguagem e uma gestualidade que ligam a experiência humana com o Transcendente, o Sagrado, a Divindade. Dessa relação brotam percepções, convicções, posturas e comportamentos que, aceitando e vivenciando a dimensão religiosa do ser, inserem-se e interagem com os demais setores e instituições, como as ciências, a academia e os movimentos sociais.

  Se essa é a vivência da nossa espiritualidade, então somos radicalmente éticos, cautelosos e solidários na economia, profundamente políticos e cuidadosamente ecológicos, porque estamos centrados na vida que é dádiva divina pela qual somos responsáveis, porque Deus nos vocacionou para sermos cocriadores e mordomos de sua criação” (CEBs Raízes e Frutos Ontem e Hoje, Pes. Benedito Ferraro e Nelito Dornelas, 2014, p.28).

  Com essa reflexão podemos avançar nos dias da Quaresma, refletindo sobre a importância nesse tempo favorável para crescermos na fraternidade, na Igreja e na Sociedade. Há uma rede de relações, já que em Cristo, vivemos, nos movemos e existimos (At 17,28).

  A transformação da sociedade e da Igreja passa pela boa vontade de cada ser humano em buscar aprimorar a sua verdadeira espiritualidade e fazer ela dar frutos de vida, de solidariedade, de justiça e de fidelidade.

  Deus o abençoe e fortaleça em sua vida, na busca serena e comprometida no seguimento de Jesus Cristo nesse tempo, quando meditamos sobre a sua vida, paixão, morte e ressurreição.

Dom Frei Severino Clasen

Ele nasceu em 1954, em Petrolândia (SC), foi ordenado padre em 1982 e bispo em 2005. Estudou Filosofia e Teologia em Petrópolis (RJ). Tem pós-graduação em Administração para a Organização do Terceiro Setor na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Além disso, foi coordenador do Departamento de Santuários da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e fez parte do Conselho Diretor do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), do Convento de São Francisco, em São Paulo.

Na 49ª Assembleia Geral da CNBB, dom Severino foi eleito presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, com um mandato de quatro anos.

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