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Colunistas

Eu vim para Servir (Mc. 10-45)

Nesse ano, comemorando os 50 anos da realização do Concilio Ecumênico Vaticano II, a Igreja quer avaliar sua caminhada conforme as decisões do Concílio Ecumênico

23/02/2015 - 11:37:04 - Atualizada em 23/02/2015 - 11:38:33
Dom Frei Severino Clasen

  A ação Evangelizadora da Igreja no Brasil é anunciar o Reino de Deus e sua justiça. Todos os anos, no período da quaresma, portanto, durante os quarenta dias de preparação para a Páscoa do Senhor, a Igreja Católica se debruça sobre uma temática referente a uma problemática da sociedade, espaço sagrado onde a Igreja tem a missão de anunciar a justiça de Deus a partir do Evangelho de Jesus Cristo.

  Nesse ano, comemorando os 50 anos da realização do Concilio Ecumênico Vaticano II, a Igreja quer  avaliar sua caminhada conforme as decisões do Concílio Ecumênico.

  A temática para a Campanha da Fraternidade desse ano - Fraternidade: Igreja e Sociedade, com o Lema: Eu vim para servir (Mc 10,45), é inspiradora para comemorar o cinquentenário do Concílio.

  Três palavras motoras para uma revisão de vida pessoal, familiar, social e eclesial: FRATERNIDADE; IGREJA E SOCIEDADE.

Qual é a missão da Igreja e da sociedade para recuperar a dimensão fraterna?

  Todos os dias surgem notícias sobre corrupções e de grande quilate. Há um mar de corrupções espalhado nesse imenso Brasil. Ouvimos falar de corrupção em quase todos os municípios e estados de nosso país. E as obras superfaturadas para a Copa do mundo, a sociedade permanece calada? Quem vai verificar? E as Olimpíadas para o próximo ano? Quem vai fiscalizar? Cresce o corrupto e o corruptor. O pecado social se institucionaliza cada vez mais.  

  Na Igreja, o Papa Francisco pede coerência, engajamento, testemunho de vida segundo o Evangelho e a Igreja precisa ser leve, autêntica, fraterna, acolhedora, simples, despojada, profética, engajada na sociedade e menos burocrática e pesada na sua estrutura que impede denunciar o pecado e anunciar a Paz.

Qual é o papel da Igreja?

  A Igreja Católica apostólica Romana, alicerçada nos ensinamento de Jesus Cristo e transmitida pela tradição apostólica, pela Sagrada Escritura e pelo Magistério da Igreja, quer continuar anunciando o Reino de Deus e sua Justiça, matéria essencial da pregação de Jesus Cristo que O levou ao martírio de cruz em vista do anúncio da justiça, da paz e do amor.

  Através da fé, todos os fiéis batizados são convocados a testemunhar com gestos concretos o Reino de Deus hoje em nossas cidades, vilas e rincões onde vivemos, nos movemos e existimos.

  Queremos uma vida fraterna, tanto na Igreja quanto na sociedade. Chega de violência, mortes estúpidas e corrupções. Para vivenciar o gozo da fraternidade, ação vital para o convívio da humanidade, é preciso avaliar nessa quaresma, o que estamos fazendo, o que pensamos e como agimos para que a fraternidade aconteça na Igreja e na sociedade.

Gesto Concreto

  O papa Francisco vem solicitando uma maior abertura da Igreja em todo o mundo. Ele fala de Igreja de saída na sua última encíclica. A nossa Igreja solidificou uma atitude para dentro de si mesma, construiu grandes catedrais, belíssimas estruturas arquitetônicas, revelando um progresso na arte e na arquitetura, grande beleza e riqueza para a humanidade. Com isso, a dimensão sacramental se tornou quase a única fonte de salvação proposta para seus fieis. Continua sendo uma riqueza que não podemos e nem devemos subestimar ou ignorar. É preciso dar vida aos sacramentos. Para tanto é preciso uma nova fonte de cultura e de atitudes cristãs. A dimensão profética nos enriquece e complementa a beleza da mística e espiritualidade que os sacramentos nos oferecem. Por isso é preciso recuperar a riqueza maior que é o próprio ser humano. Olhar para a sensibilidade da vida e resgatar o ser humano, devolver à humanidade a sua dignidade e respeito total. Colocar a pessoa em primeiro lugar. O econômico deve ser um meio para dignificar o ser humano e não o ser humano a serviço do econômico. A moral e a ética devem ser a conduta de toda a sociedade e a Igreja tem muito, ou tudo para contribuir à sociedade, abandonando o moralismo infértil e farisaico. A atitude fundamentalista e ingênua contribui para a violência, a corrupção e a destruição da dignidade humana.

  Dois gestos para uma quaresma fecunda e mística em vista da Páscoa que se aproxima:

a)      Mistagógica: estudar, rezar, avaliar, celebrar a vida pessoal, familiar, comunitária e social.

A partir da Sagrada Escritura e das orientações da Igreja particular, reunir os grupos, as comunidades para a oração, meditação, confissão e revisão de vida cristã. Onde estamos pecando para resultar em tanta corrupção e violência na sociedade hoje? Algo está errado na nossa prática religiosa.

b)      Engajamento social: gesto concreto para mudar a ação politica no Brasil. Grande campanha de assinaturas exigindo a reforma política no Brasil. À sociedade brasileira deve se unir e fazer sua parte. Estamos nos acostumando a ver as notícias, nos indignarmos contra tanta sujeira e não nos movemos para mudar. Somos cúmplices do pecado social instalado. A Igreja do Brasil vem há muito tempo se esforçando, debatendo, dialogando e cobrando justiça. O povo precisa participar. Do contrário, vamos para a destruição total.

  Peço que em cada paróquia da nossa Diocese se mobilize para que durante a quaresma se recolha assinaturas para cobrar ampla, total e profunda reforma política no Brasil. Precisamos entregar ao Congresso Nacional 1.500.000 assinaturas para exigir dos nossos representantes legais a mudança política. Com isso, teremos ferramentas para acabar com as corrupções institucionalizadas em nossos municípios, estados e país.

  Que a força da mensagem quaresmal nos sensibilize e e nos leve a não ficarmos  trancados em nós mesmos esperando que outros façam. Pela graça do Batismo somos chamados a transformar o mundo do pecado em mundo da graça e da fraternidade. Eis o sonho, o desejo, a necessidade de se converter e se preparar para a Páscoa. Que não deixemos o Cristo mais uma vez sozinho, sofrendo todo suplício e nós assistindo sua dor cruel e até negando que somos cristãos.

  Que a força do Espírito Santo nos ilumine e nos encha de coragem para uma ação transformadora e de conversão.

  Uma Santa e fecunda quaresma!

 

Dom Frei Severino Clasen

Ele nasceu em 1954, em Petrolândia (SC), foi ordenado padre em 1982 e bispo em 2005. Estudou Filosofia e Teologia em Petrópolis (RJ). Tem pós-graduação em Administração para a Organização do Terceiro Setor na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Além disso, foi coordenador do Departamento de Santuários da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e fez parte do Conselho Diretor do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), do Convento de São Francisco, em São Paulo.

Na 49ª Assembleia Geral da CNBB, dom Severino foi eleito presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, com um mandato de quatro anos.

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