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Colunistas

Capacidade de relacionar-se

Vivemos um período na história da humanidade onde a capacidade de relacionar-se está em jogo

10/02/2015 - 00:25:15
Dom Frei Severino Clasen

  Vivemos um período na história da humanidade onde a capacidade de relacionar-se está em jogo. A globalização oferece o que a vaidade humana quer e deseja. Querer tudo pronto, não precisar pensar, não criar, pois tudo já vem enlatado e oferecido a bom preço para satisfazer o mercado do consumo. Consumimos o que o mercado oferece e achamos bom e cômodo. Não precisamos pensar. Já pensam por nós. (Mais de 500.000 alunos levaram zero (0) no curso ENEM 2014), não precisam pensar...

  O livro “A arte de formar-se” de João Batista Libanio oferece uma reflexão oportuna para rever a arte, também, de se relacionar. A arte de pensar desenvolve-se pela nossa capacidade de relação. Ousaria dizer que a relação é a grande categoria educativa do pensamento. Pensar é saber relacionar. Relaciona quem capta não a essência abstrata e estática de uma realidade, mas sua existência numa rede de outras muitas. Para L. Boff, estamos construindo um novo paradigma, que consiste fundamentalmente numa “nova forma de dialogação com a totalidade dos seres e de suas relações”.

  Relacionar é superar uma visão dualista que pensa o mundo sempre divididamente entre sujeito e objeto, material e espiritual, natureza e cultura, ser humano e mundo, razão e emoção, feminino e masculino, mente e corpo, imanência e transcendência, ação e contemplação, etc. Positivamente, significa articular o máximo possível esses polos. Assim não há sujeito que não se relacione com o objeto, que não seja marcado por ele. Somos terrivelmente objetivados por tudo que nos cerca. Por outro lado, não há objeto que não seja interpretado, captado a partir do sujeito. Só é objetivo o que é também subjetivo. E assim poderíamos passar uma por uma das tensões acima indicadas e mostrar sua relação, em vez de fixar-nos na ruptura, na separação, na divisão. O relacionar do pensar corresponde ao relacionar da própria realidade. E as ciências modernas apontam precisamente para o fato de que existe “a complexidade/diferenciação, a auto-organização/consciência, a religação de tudo com tudo”. Aprende-se a pensar, assumindo a lição da Ecologia.

  Ecologia representa a relação, a interação e a dialogação que todos os seres (vivos ou não vivos) guardam entre si e com tudo o mais que existe. Esta atitude ecológica de base chama-se holismo, ou visão holística... Desta forma deparamo-nos sempre com uma síntese que ordena, organiza, regula e finaliza as partes num todo e cada todo com um outro todo ainda maior. A ecologia é como a ciência e a arte das relações e dos seres relacionados.

  Hoje em dia há várias ciências que nos têm brigado a esse pensamento relacional. Pode-se falar de um novo “espírito científico” ou de uma “segunda revolução científica do Século XX”. Que leva a ligar, a contextualizar, a globalizar os conhecimentos. Estas ciências são fundamentalmente: a Cosmologia, cujo objeto é o universo, as Ciências da Terra, cujo campo de estudo é a terra, a Ecologia, que estuda a natureza, e a nova Pré-história, que se interessa pela humanidade. A teoria dos sistemas adquire cada vez mais relevância (A arte de formar-se –João Batista Libanio Ed. Loyola 2006).

  Para concluir a reflexão: Que visão você tem sobre os acontecimentos e a realidade atual? Qual é o senso crítico que você tem sobre os acontecimentos atuais? Por exemplo, como interpreta o fundamentalismo de algumas religiões? O monopólio e imposição da grande mídia, dirigindo as consciências humanas? Afinal, quem tem razão no mundo de hoje?

  Onde está a mensagem cristã que pede relacionamento fraterno, respeito, dignidade, justiça, serviço, valorização da vida? Qual é sua relação na família, no trabalho, no trato com o mundo criado e com as coisas materiais, meios de sustentabilidade? Que o Espírito Santo te ilumine no discernimento de uma boa, útil e necessária relação com tudo e com todos que estão ao seu redor.

Dom Frei Severino Clasen

Ele nasceu em 1954, em Petrolândia (SC), foi ordenado padre em 1982 e bispo em 2005. Estudou Filosofia e Teologia em Petrópolis (RJ). Tem pós-graduação em Administração para a Organização do Terceiro Setor na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Além disso, foi coordenador do Departamento de Santuários da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e fez parte do Conselho Diretor do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), do Convento de São Francisco, em São Paulo.

Na 49ª Assembleia Geral da CNBB, dom Severino foi eleito presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, com um mandato de quatro anos.

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