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Colunistas

O sofrimento

Além da ajuda das ciências, da medicina, das técnicas desenvolvidas pela capacidade humana, a grande ajuda sempre será o calor humano

23/07/2014 - 12:39:42 - Atualizada em 23/07/2014 - 13:07:11
Dom Frei Severino Clasen

  Todas as pessoas já experimentaram algum tipo de sofrimento.  E a doença é uma das experiências mais terríveis que enfrentamos. Temos medo de ficar doente, pois leva-nos ao sofrimento. Não só padece o doente, mas também quem cuida ou convive com uma pessoa enferma. Na dor, palavras e explicações não curam. Surgem as costumeiras perguntas: O que fazer quando a ciência já não pode deter o inevitável? Como enfrentar de maneira humana a deterioração? Como estar junto ao familiar ou ao amigo gravemente doente?

  O teólogo José Antônio Pagola no seu livro Comentários sobre o Evangelho de São Marcos nos aponta algumas pistas, além das perguntas mencionadas. A primeira coisa é aproximar-se. Aquele que sofre não pode ser ajudado de longe. É preciso estar perto. Sem pressa, com discrição e respeito total. Ajudá-lo a lutar contra a dor. Dar-lhe forças para que colabore com os que procuram curá-lo. Isto exige acompanhá-lo nas diversas etapas da doença e nos diferentes estados de ânimo. Oferecer-lhe aquilo que ele necessita em cada momento. Não incomodar-nos diante de sua irritabilidade. Ter paciência. Permanecer junto.

  É importante escutá-lo. Que o doente possa contar e compartilhar aquilo que traz dentro de si: as esperanças frustradas, suas queixas e medos, sua angústia diante do futuro. É um alívio para o doente poder desabafar com alguém de confiança. Nem sempre é fácil escutar. A escuta requer colocar-se no lugar daquele que sofre e estar atento ao que ele nos diz com suas palavras e, sobretudo, com seus silêncios, gestos e olhares.

  A verdadeira escuta exige acolher e compreender as reações do doente. A incompreensão fere profundamente quem está sofrendo e se queixando... Diante da doença, a pessoa pode adotar atitudes sadias e positivas, ou pode deixar-se destruir por sentimentos estéreis negativos. Muitas vezes precisará de ajuda para confiar e colaborar com os que a atendem, para não fechar-se apenas em sua dor, para ter paciência consigo mesma ou para ser agradecida” (p. 53).

  Jesus Cristo tinha toda a sabedoria de lidar com as pessoas que sofriam. Ele continua aliviando a dor de quem o procura com resignação, fé e esperança. Colocar-se na escuta de Sua mensagem, assimilar na vida os sofrimentos, pensando nos sofrimentos dele que por amor se entregou e sofreu até as últimas consequências, morrendo na cruz, nos ensina que após todo o sofrimento vem a redenção, a salvação e o gozo da felicidade eterna.

  Além da ajuda das ciências, da medicina, das técnicas desenvolvidas pela capacidade humana, a grande ajuda sempre será o calor humano, a sensibilidade, a ternura, a misericórdia e a compaixão. Por isso, Jesus Cristo fazia milagres de cura, porque era todo de amor, por amor agia e com amor se apresentava em todas as comunidades por onde passava e anunciava a vida plena e cheia de graça. Ele curava, perdoava, ensinava e testemunhava uma vida dedicada aos semelhantes. Ao nosso redor encontramos muitas pessoas sofrendo, além de doenças graves, a perda de sentido, depressão, solidão ou vazio interior. A agitação do mundo moderno faz aumentar cada vez mais os sofrimentos, pois o equilíbrio natural da existência está deslocado. Atraímos doenças, desajustes, descompromisso com a essência da vida e caímos enfermos. Logo, sofremos.

  Que aprendamos a lidar com o sofrimento na perspectiva cristã e que a esperança seja sempre a força para a superação de toda espécie de dor.

Dom Frei Severino Clasen

Ele nasceu em 1954, em Petrolândia (SC), foi ordenado padre em 1982 e bispo em 2005. Estudou Filosofia e Teologia em Petrópolis (RJ). Tem pós-graduação em Administração para a Organização do Terceiro Setor na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Além disso, foi coordenador do Departamento de Santuários da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e fez parte do Conselho Diretor do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), do Convento de São Francisco, em São Paulo.

Na 49ª Assembleia Geral da CNBB, dom Severino foi eleito presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, com um mandato de quatro anos.

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