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CHAPECÓ

Médico indiciado por morte de bebê de cinco meses é afastado das funções

Ele já havia sido afastado do Hospital da Criança, onde o caso aconteceu, mas continuava atendendo em três unidades básicas de saúde

10/01/2019 - 13:05:22 - Atualizada em 10/01/2019 - 23:53:40
DC

O médico indiciado pelo homicídio doloso de um bebê de cinco meses em Chapecó foi afastado de todas as funções pela Prefeitura. Ele já havia sido afastado do Hospital da Criança, onde o caso aconteceu, mas continuava atendendo em três unidades básicas de saúde do município. 

A morte do bebê Miguel Lira ocorreu no dia 7 de setembro do ano passado, após um atendimento feito pelo profissional, de 56 anos. O inquérito foi concluído na quinta-feira, dia 3. Para a Polícia Civil, houve negligência. A reportagem não conseguiu contato com o médico.

Segundo o delegado Tiago Escudero, responsável pelo caso, a certidão de óbito aponta que a causa da morte foi sepse, também conhecida como infecção generalizada. Entretanto, as investigações apontam que o bebê morreu por hipotermia, após o excesso de medicamento para febre. O médico vai responder por homicídio doloso, quando se assume o risco de matar.

 Os pais da criança procuraram a polícia depois de desconfiarem que a morte poderia ter sido provocada por erro médico. Miguel, que foi atendido no Hospital da Criança, era o primeiro filho de Évelin Tailize Aparecida Lira.

 "Ele receitou a medicação, não olhou para mim, não olhou para o nenê, não examinou o nenê, e me deu a receita. Aí eu falei 'doutor, mas eu acabei de dar um remédio para ele, não tem problema?', aí ele falou assim 'não, você não estudou, né, você não é médica, então faz o que eu estou te pedindo, vai para casa e se até domingo ele não melhorar, você retorna'", contou Évelin.

 Após o atendimento, a família voltou para casa. Mas poucas horas depois, Miguel piorou, mesmo com a medicação. Então os pais voltaram para o hospital para um novo atendimento, com outro médico, mas o bebê já estava com hipotermia. Ele foi levado para a emergência, recebeu novos atendimentos, mas não resistiu.

 "Durante toda a carreira profissional dele, ele vem colecionando reclamações de pacientes e até dos próprios profissionais que atuam com ele, no sentido de que ele atuaria com certo descaso em relação aos pacientes. Não observaria ficha pretérita, não teria a atenção devida com o prontuário médico", disse o delegado.

 MPSC e CRM

 O inquérito está com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que vai analisar se denuncia o médico à Justiça. A direção do Hospital da Criança informou que o médico foi afastado após o caso, que foi aberta sindicância para apurar o ocorrido e que todas as informações levantadas foram encaminhadas para a Polícia Civil.

 O Conselho Regional de Medicina (CRM) disse que também abriu sindicância para avaliar a possível responsabilidade do médico. Se for identificada infração ao Código de Ética médica, será aberto um Processo Disciplinar que pode terminar em penalidades contra ele, de acordo com a gravidade da infração.

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