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CASAN

Delator da JBS diz que pagou propina de R$ 10 milhões para Colombo

Planilha incluída em inquérito no STF cita Colombo como um dos políticos que teriam recebido propina da JBS. A empresa teria intenção de comprar a Casan

19/05/2017 - 14:47:50 - Atualizada em 20/05/2017 - 10:31:33
Com informações do Diário Catarinense

O governador Raimundo Colombo (PSD) e o secretário da Fazenda, Antônio Marcos Gavazzoni, teriam recebido ao menos R$ 10 milhões em propina da empresa JBS, segundo diretor da empresa, Ricardo Saud, em acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Na delação, realizada em maio deste ano, o executivo conta que os valores foram para a campanha de 2014. A empresa teria intenção de comprar a Casan através de um braço de construção civil da gigante do setor alimentício. Encontros entre Joesley Batista, sócio da JBS, teriam ocorrido em meados de 2013, mesma época da compra da Seara.

Em delação realizada em 5 de maio deste ano para procuradores da Lava-Jato, Ricardo Saud afirma que a JBS teria se aproximado do governo de Santa Catarina em 2013, durante o processo de venda da Seara. Na época, a empresa de alimentos foi vendida por R$ 5,8 bilhões para o grupo JBS. 

— Criou-se uma intimidade com o secretário Gavazzoni nessa época. Ele disse que eles iam disputar uma eleição com Dario Berger e Paulo Bauer e que estavam precisando de recurso. Eu disse: 'vocês estão no poder, com a máquina na mão e ainda querem recurso?' Mas ainda assim convidamos eles para um jantar na casa do Joesley, em São Paulo, mais ou menos em junho ou julho daquele ano. Foram Raimundo Colombo, alguns assessores que não lembro o nome e o secretário Gavazzoni — conta Ricardo Saud.

Segundo o delator, a JBS teria intenção de criar uma construtora para investir no setor de saneamento. A Casan estava entre os objetivos da JBS e por isso diretores da empresa teriam entregado "R$10 milhões em propina" para apoiar Raimundo Colombo na eleição de 2014 e conseguir "facilidades na licitação" da companhia de saneamento.

— Olhei pro Joesley, olhei por governador, os dois balançaram a cabeça, assentindo. Chegamos a um número de R$ 10 milhões. Nós pagamos R$ 8 milhões dessa propina dissimulada em forma de pagamento no PSD nacional carimbado pra candidatura do Raimundo Colombo e R$ 2 milhões foi pago em dinheiro vivo lá em Florianópolis mesmo. Eu não posso afirmar se foi o Gavazzoni quem buscou o dinheiro ou se foi um mensageiro dele, mas o dinheiro foi entregue num supermercado que nos ajudou sem saber de nada, pagando em espécie como se fosse uma nota fiscal nossa de R$ 2 milhões.

Ricardo Saud menciona que o pagamento de R$ 2 milhões ocorreu no supermercado Angeloni, pelo diretor-presidente da rede catarinense de supermercados, Augusto Fretta, mas diz que o empresário não sabia que o pagamento era ilícito.  

Na prestação de contas declarada no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Colombo recebeu nas eleições de 2014 R$ 3.882.307,47 da JBS S/A e da Seara Alimentos. As doações foram feitas via Direção Estadual ou Distrital do partido.

CONTRAPONTOS

O que diz o governador Raimundo Colombo (PSD):

A assessoria de imprensa do governador Raimundo Colombo desconhecia o conteúdo dos vídeos e disse que retornaria para a reportagem com o posicionamento oficial.

 O que diz o secretário da Fazenda do Estado, Antonio Gavazzoni:

A assessoria de imprensa da Secretaria da Fazenda afirmou que estava se inteirando dos depoimentos e em breve se posicionará.

O que diz Augusto Fretta, diretor-presidente do Angeloni:

A assessoria de imprensa do Supermercado Angeloni desconhecia o conteúdo da delação. Augusto está em deslocamento em um voo, e, por isso, sem contato telefônico. 

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