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JOAÇABA

Cadela é estuprada por detento dentro do parque de máquinas da prefeitura

Comissão da OAB e ONG Bom Pra Cachorro não puderam resgatar o animal. Prefeito decidiu entregar a cadela para tutora

22/01/2019 - 20:59:17 - Atualizada em 23/01/2019 - 12:23:52
Eder Luiz

Um crime revoltante contra uma cadela, que é mantida junto com outros dois cães no parque de máquinas da prefeitura de Joaçaba, na Vila Remor, foi denunciado nesta terça-feira, 22. O animal foi estuprado por um detento, que trabalhava no local, no sábado, dia 12. A cena foi flagrada por outro preso, que discutiu com o autor do fato e comunicou o ocorrido a funcionários da unidade prisional. Mesmo com o abuso, funcionários da prefeitura só levaram a cadela a uma clínica veterinária da cidade quase uma semana depois, na quinta-feira, 17.

O veterinário que atendeu o animal emitiu um laudo confirmando que a cadela foi estuprada. " Observou-se (...) em região genital laceração de aproximadamente 1,5cm já em processo cicatricial", detalhou no laudo, que pode ser visto na imagem abaixo.

Ao saber da informação e ter acesso ao laudo, integrantes da ONG Bom Pra Cachorro registraram um Boletim de Ocorrência (BO) na delegacia de Joaçaba. Segundo a ONG, no último final de semana os voluntários foram até o parque de máquinas com o objetivo de resgatar a cadela para que receba tratamentos em um centro de reabilitação mantido pela entidade, mas não tiveram a permissão.

Nesta terça-feira, 22, as voluntárias voltaram ao local para tentar o resgate, desta vez acompanhadas pela advogada Daiana Brito, da Comissão dos Direitos dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Joaçaba, da advogada Graziele Lima e com o apoio da Polícia Militar.

No local, encontraram os portões fechados e os funcionários informaram que por ordem do Secretário de Obras não poderiam ter acesso ao interior do parque de máquinas e nem a cadela e os outros cães. As advogadas e os policiais tentaram argumentar com os funcionários para conseguir a liberação, porém, sem sucesso. Ligações foram feitas para o celular do secretário, mas ele estava fora de área.

Diante da situação, as advogadas resolveram ir até a prefeitura para tentar a liberação com o prefeito Dioclésio Ragnini. O prefeito recebeu as representantes da OAB, acompanhado de sua assessoria jurídica. Após ouvir os argumentos das advogadas, solicitando que a cadela e os demais animais fossem entregues para a ONG, o prefeito informou que isso não seria possível.

Segundo ele, a cadela que foi vítima do estupro está sendo bem cuidada por veterinários da própria prefeitura e que sempre recebeu um bom tratamento por parte deles. Dioclésio disse que assim que soube do fato um processo administrativo foi instaurado, para saber as circunstâncias em que o fato aconteceu e por que houve a demora em levar o animal para receber atendimento veterinário. Ainda de acordo com o prefeito, a cadela só deixaria o local diante de uma ordem judicial.

Prefeito decide entregar o animal para tutora

Após a publicação desta reportagem, o prefeito entrou em contato por telefone com o Portal Éder Luiz e informou que a cadela será entregue para uma pessoa que irá adotar o animal. "Nós vamos entregar para a pessoa que irá adotar este animal. Não vamos entregar para ONG. Já temos o nome dessa pessoa que irá adotar e estamos só marcando um horário para vir apanhar esta cachorra e iremos entregar diretamente para a pessoa que irá fazer a adoção deste animal".

Os animais que estão no local, segundo as advogadas, eram de rua e foram acolhidos pelos funcionários. Uma das cadelas saiu do portão no momento em que gravávamos a reportagem e já ficou aos cuidados das voluntárias.

Quanto ao caso do preso, nossa equipe tenta contato com o presídio regional de Joaçaba para saber qual situação foi adotada diante da situação. A assessoria jurídica da prefeitura de Joaçaba informou que ele perdeu o direito de trabalhar fora da unidade prisional, voltando ao regime fechado. A prefeitura mantém um convênio com o presídio para ressocialização dos presos e é a direção da unidade que determina quais podem ser aproveitados em trabalhos externos.


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