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Colunistas

O ato de beber

Sendo a temática álcool e drogas algo amplamente discutido gostaria de propor uma breve reflexão sobre o ato de beber. Historicamente sabemos que o consumo de álcool é tão antigo quanto a própria Bíblia sagrada

03/04/2017 - 09:10:27
Karen Rayany Ródio

Sendo a temática álcool e drogas algo amplamente discutido gostaria de propor uma breve reflexão sobre o ato de beber. Historicamente sabemos que o consumo de álcool é tão antigo quanto a própria Bíblia sagrada.

Nossos índios brasileiros já faziam uso de substâncias alcoólicas antes mesmo da colonização, tais usos foram registrados em nossa história como recreativos, ou seja, em festas e rituais.

Segundo antropólogo Darcy Ribeiro, citado por Andrade e Espinheira (2017) em um curso online fornecido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas: “A cachaça é conhecida de muito tempo, desde os primeiros momentos em que se começava a fazer do Brasil o Brasil. Da amargura da escravidão; a cachaça para alterar a consciência, para calar as dores do corpo e da alma, para açoitar espíritos em festas, para atiçar coragem em covardes e para aplacar traições e ilusões. Para tudo, na alegria e na tristeza, o brasileiro justifica o uso do álcool, da branquinha à amarelinha, do escuro ao claro do vinho, sempre com diminutivos”.

Concluindo a leitura onde esse fragmento de texto se encontra me propus a refletir sobre como o ato de beber faz arte da nossa maneira de ser social, e me permito afirmar que em muitas famílias o ato de receber no almoço de domingo um copo de bebida alcoólica é (ainda hoje) sinônimo de maturidade, representação de que se deixou a mesa das crianças e se é aceito a mesa dos adultos. Porém, nem sempre, esse copo de bebida é entregue a alguém com a maturidade devida para compreender os efeitos do álcool no corpo e mente humana.

Bebemos em virtude de problemas e comemorações. Nos permitimos ultrapassar a linha da moderação em determinados momentos de nossa vida. Seja ao entrar na faculdade ou ao sair dela, seja para comemorar a união de um casal ou para estar junto de um amigo que se separou. Não existem regras claras para quando, como ou onde beber é algo correto ou não.

Droga lícita, amplamente divulgada em propagandas, amplamente oferecida em muitos locais. Sabemos que os efeitos variam de acordo com a pessoa que faz uso (condições físicas e psíquicas), expectativas, ambiente, companhias e representação daquela bebida.

Do idoso que tem seu “martelinho” em cima da pia da cozinha, ao jovem que tem sua taça preferida na estante, da pessoa que preza pela economia ao beber algo mais acessível até aquele que bebe pouco, mas exige qualidade. Daquele que lê os rótulos para saber a composição do que está ingerindo aquele que aceita até mesmo a bebida do copo de um quase desconhecido. Das festas fechadas ao open bar. Da confraternização da empresa ao aniversário dos filhos. Nos lugares mais variados e onde a bebida não faz parte daquele contexto até os mais óbvios.

Sem julgamentos ou premissas, precisamos estar atentos a linha tênue da moderação. Atentos ao motivo que nos leva a consumir qualquer substância, afinal se o álcool estiver sendo útil para calar as dores do corpo e da alma é nítido que esse remédio não será eficaz.

Sim, o ato de beber faz parte da realidade de muitas pessoas na sociedade atual, e acredito que entender e refletir sobre o que estamos ingerindo levaria muitas pessoas a mudança de hábitos e a reflexão sobre quais são os reais problemas ou as reais formas de comemoração.

A moderação, como em diversas outras esferas da vida, nesse aspecto também falará mais alto, reforçando a necessidade de autoconhecimento o que possibilita interpretar quais são nossos limites, sejam eles de um (ou nenhum), dois ou três copos ou doses.

Karen Rayany Ródio

Psicóloga, pós graduada em Psicologia Clínica. Apaixonada pela profissão e por seus diversos contextos.
Atualmente desenvolvendo atividades organizacionais, clínicas e de docência.

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