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Sábado - 22.09.2018

Fim de semana de sol e calor em Santa Catarina


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Diário Rio do Peixe

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Colunistas

Desejavam saciar-se do que caia da mesa do rico

Lc 16,21

09/03/2018 - 15:12:46
Dom Frei Severino Clasen

Neste Ano Nacional do Laicato, no tempo quaresmal, somos chamados a acolher e cuidar dos aflitos. Saber acolher e cuidar é uma arte que enriquece o caráter da pessoa, pois eleva os sentimentos de pertença e de humildade diante das deficiências humanas. Deus olhou para o sofrimento de seu povo (Ex 3,7).

No texto base da Campanha da Fraternidade desse ano lemos, “no decorrer da história, várias iniciativas sociais da Igreja foram sendo assumidas pela sociedade e se tornaram políticas públicas”. Portanto, o olhar social da Igreja exigiu posicionamento do Estado em relação ao sofrimento humano por ele negligenciado.

A motivação da fé vivenciada pela prática do Evangelho, que potencializa o ser humano para lidar com suas próprias limitações, deve balizar as ações da cultura da paz proposta pela CF 2018. A esperança é a principal característica dos trabalhos pastorais da Igreja. Por mantê-la, mesmo nas situações de sofrimento e defender a dignidade humana e o direito à vida em todas as circunstâncias, inclusive como política pública, a Igreja tem contribuído significativamente para a superação da violência (CF n. 234-235).

Nesta quaresma, temos ainda um bom tempo para rever nossas atitudes e convicções cristãs para destruir os focos de violência que estão dentro do nosso coração.

Já iniciamos o projeto Diocesano de Iniciação à Vida Cristã. Essa iniciativa, inspirada no Documento 107, da CNBB, apresenta um novo modelo de como introduzir as crianças, adolescentes, jovens e adultos no processo de seguimento de Jesus Cristo. Boa parte das violências acontecem por falta de conhecimento do projeto de Jesus Cristo, por falta de pessoas que se doam para construir o Reino de Deus para todos nós. Vamos abraçar esse projeto e voltar as fontes do cristianismo e amar Jesus Cristo que é o caminho da superação de toda e qualquer violência na família, na sociedade, na Igreja, enfim, em todos os âmbitos da vida humana. Teremos momentos fortes celebrativos para motivar as lideranças, as famílias e os grupos afins na busca de dignidade e superação das violências.

Dia 8 de março, dia internacional da mulher. Uma data que deveria ter outra motivação para a sua existência. Poderia ser uma data festiva, mas infelizmente, é memória da violência causada contra a mulher que até hoje ainda não está superada.

Dia 22 de março, comemoramos o dia da água. Parece tão estranho celebrar o dia da água. São Francisco de Assis a chamava de irmã água, pura e casta, mas hoje, infelizmente a água está sendo fonte de enriquecimento para poucos e morte para milhões. Diante de tantas outras matrizes geradoras do mal, somos chamados à conversão. Tempo de conversão é oportunidade para refletir sobre três atitudes indispensáveis para uma verdadeira mudança de vida: a) Oração, deixar Deus conduzir a vida e agir conforme a vontade do Criador. Nos tempos de hoje, a mensagem de Deus incomoda muita gente. Muitos querem um Deus para si próprio, um deus que satisfaça as próprias vontades e convicções de vida. Esse deus não serve, pois, nossa oração deve nos conduzir ao coração de Deus e nos fazer obedientes a Ele. b) Jejum, superação dos excessos que estão dentro de nós. O jejum nos ensina a ter contato com o essencial, com a fonte original dos sentimentos e sensibilidade humana. c) Esmola, essa palavra é complicada para os dias de hoje. Estamos diante de um desmonte do Estado, onde moralistas sem moral criam e aplicam leis em causa própria, jogando milhões de pessoas na sarjeta da sociedade. Eles possuem volumosas contas bancárias, e mansões de luxo mas ainda exigem direito a auxílio moradia. Esmola é olhar para o necessitado, sobretudo o pobre. Essa atitude não é comunismo, mas é cristianismo.

Que o tempo quaresmal nos mostre o caminho da verdadeira iniciação à vida cristã e recupere em nós os sentimentos de amor, de justiça, de fraternidade, na família, no trabalho, na escola, no lazer, na Igreja e em todo o lugar.

Dom Frei Severino Clasen

Ele nasceu em 1954, em Petrolândia (SC), foi ordenado padre em 1982 e bispo em 2005. Estudou Filosofia e Teologia em Petrópolis (RJ). Tem pós-graduação em Administração para a Organização do Terceiro Setor na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Além disso, foi coordenador do Departamento de Santuários da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e fez parte do Conselho Diretor do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), do Convento de São Francisco, em São Paulo.

Na 49ª Assembleia Geral da CNBB, dom Severino foi eleito presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, com um mandato de quatro anos.

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