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Agricultura Familiar

Louvado sejas meu Senhor pela irmã e mãe terra que com seus frutos nos sustenta e nos alimenta, São Francisco de Assis

09/07/2017 - 21:37:03
Dom Frei Severino Clasen

O Cântico de São Francisco de Assis, cantando os louvores do Senhor sobre toda a criação, nos conduz para a lida dos nossos estimados agricultores.

Se uma categoria é esquecida e abandonada em nosso país é a vida dos nossos agricultores. Deles vem o alimento que nos sustenta.

Somos criaturas participantes da bela e majestosa obra de Deus. Dentre todas as criaturas, talvez a mãe e irmã terra é a mais explorada, castigada, agredida por agrotóxicos, pelo orgulho e prepotência humana. O excesso da vontade de explorar, castiga e enfraquece seu teor e contamina com ela todas as outras criaturas. A rapidez com que o ser humano trabalha na busca do lucro perverso e insaciável, destrói a mística do cuidado, do respeito e da acolhida da mãe natureza. Mãe que tudo produz, se renova e condiciona todas as criaturas ao sustento equilibrado e mantém o ciclo prodigioso criando, desenvolvendo e alimentando todas criaturas. Prolifera-se o comportamento do descuido e da exploração da terra. Eis o que diz o livro do Gênesis sobre a criação do mundo: “E Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus ele os criou, macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou e disse: “Sejam fecundos, multipliquem-se, encham a terra e a dominem. Submetam os peixes do mar, as aves do céu e todos os seres que se remexem sobre a terra”. E Deus disse: “Vejam! Eu lhes dou as ervas que semeiam sementes, ervas que estão sobre a terra inteira; e todas as árvores com frutos que semeiam sementes: será alimento para vocês. E para todas as feras da terra, para todas as aves do céu e para todo bichinho da terra que tenha vida, dou a relva como alimento. E assim foi. E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era muito bom” (Gn 1,27-31).

No mês de julho lembramos dos agricultores, trabalhadores da terra que plantam, cuidam e dominam a terra, obra dada por Deus. Glorifiquemos a Deus pelos agricultores que trabalham, buscam o sustento e nos sustentam com os alimentos produzidos com o sacrifício de seu trabalho. Infelizmente o agronegócio, fonte de exploração e escravidão que, em medidas desproporcionais, explora a mãe terra e induz a sociedade a aceitar os frutos da ganância que empobrece e destrói a sustentabilidade do trabalho dos nossos agricultores.

Santa Catarina se caracteriza pela agricultura familiar. Cada vez mais condenada à morte em vista da exploração e ignorância dos governos que, em vez de incentivar a produção de alimentos saudáveis, prefere a megaprodução, onde uns poucos são os que lucram e muitos, milhares e milhares de famílias, são despejadas pela falta de incentivo e de boas políticas públicas para a agricultura. Eis a razão dos inchaços nas periferias das cidades, a urbanização desordenada e a pobreza crescente. Poucos armazenam todo o lucro e os demais são feitos escravos.

Na festa do agricultor queremos elevar nossas preces a Deus e buscar na fonte da unidade, da fraternidade e da solidariedade, iniciativas que protejam os nossos agricultores e, os alimentos que produzem possam nos garantir a saúde. É preferível produzir menos, mas com qualidade, do que condenar nossa saúde, o maior dom que Deus nos deu. Que Nossa Senhora Aparecida abençoe todos os agricultores e todos os motoristas que transportam os nossos alimentos.

A força da união, a organização dos agricultores em associações e verdadeiros sindicatos, possa resgatar a paixão pela atuação na terra, no cultivo de alimentos saudáveis e na busca de uma terra sem males. 

Dom Frei Severino Clasen

Ele nasceu em 1954, em Petrolândia (SC), foi ordenado padre em 1982 e bispo em 2005. Estudou Filosofia e Teologia em Petrópolis (RJ). Tem pós-graduação em Administração para a Organização do Terceiro Setor na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Além disso, foi coordenador do Departamento de Santuários da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e fez parte do Conselho Diretor do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), do Convento de São Francisco, em São Paulo.

Na 49ª Assembleia Geral da CNBB, dom Severino foi eleito presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, com um mandato de quatro anos.

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