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Colunistas

Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro

Há limite de orçamento para a Educação e para a Saúde, mas porque não há limites para os juros e manobras do sistema financeiro?

11/04/2017 - 22:36:36
Dom Frei Severino Clasen

Tadeu recebeu a seguinte ordem, façam as mudanças e atendam a todos os pedidos. Pois a barragem está pronta e a água vai subir. Última mudança e pouca benfeitoria do seu “Zé”, mas deu muito trabalho, pois a família residia onde o acesso era somente a pé. Última solicitação: “tragam aquela pedra”. Tadeu olhou para o seu colega e pasmo, em silêncio, buscaram a pedra. 

Não controlando a curiosidade, Tadeu perguntou, “meu amigo, porque essa pedra”? “Moço, meu avô sentava nela e ensinava os filhos. Meu pai, sentado nessa pedra nos deu respeito aos outros. Eu, nessa pedra, contei a história da minha vida para os meus filhos. Essa pedra precisa ir comigo”. 

A pedra! 

Quando mataram Jesus, colocaram o seu corpo na cova escondido atrás de uma pedra. Enquanto a pedra não se movia, o corpo jazia inútil, junto a região dos mortos. Quando a pedra se moveu, o sepulcro se esvaziou e a vida ressurgiu. Estamos prestes a celebrar a Páscoa do Senhor. Uma pedra se move e a vida ressurge para o esplendor da glória do Pai. É Páscoa, o Senhor passa da morte para a vida! Onde e como nos encontramos na história da pedra e no tempo pascal? 

Vivemos em tempos onde a vida de milhões de pessoas simples e humildes são solapadas da sua dignidade. 

Faz um ano que, fariseus, sepulcros caiados, corruptos rasgaram a Constituição Federal. Dentre outros, políticos católicos de grupos que oram, gritavam na hora da votação: pela minha religião, pela minha família, pela minha fé, voto “SIM”. Eis o voto que transferiu o governo para o poder mais podre que a história do Brasil já viveu. Estamos nesse momento acurralados atrás da pedra e não nos movemos. Nos silenciamos! Muitos bateram panelas na ocasião, em nossas ruas, legitimando o golpe contra nós e agora os mesmos batedores estão calados, não sei se de vergonha ou porque são beneficiados pela corrupção e o golpe institucional, ou por ignorância e desinformação. 

A pedra precisa ser carregada e levada para contar a história da nossa fé, a singeleza da vida, as conquistas, a superação das vaidades, o aconchego da seriedade e honestidade, a lucidez da vida que está em nós, na natureza, no nosso bioma, em Deus. A pedra precisa ser removida para podermos ouvir a melodia da paz e convocar todos os cristãos leigos e leigas a anunciarem que Jesus ressuscitou. Remover a pedra é sentir-se em missão e ir às ruas para resgatar a liberdade, carregar a bandeira da vida e gritar: fora políticos golpistas! Fora todos os que roubam, sonegam, superfaturam, enganam e sequestram os direitos dos cidadãos, destruindo a ética e a justiça. É preciso ir às ruas e ultrapassar a pedra que aprisiona as consciências e barrar os altos salários, a começar pelos vereadores dos mais de 5 mil municípios do Brasil. Qual é o custo benefício de um vereador e qual é o custo benefício de uma professora e de um professor? 

Que projetos estão sendo votados no Senado? O povo está sendo esclarecido sobre os mesmos? Há limite de orçamento para a Educação e para a Saúde, mas porque não há limites para os juros e manobras do sistema financeiro? Por que não aceitam fazer uma auditoria cidadã da dívida pública? E o que o povo está sabendo sobre o projeto que acaba com a aposentadoria, sobretudo dos agricultores, dos assalariados e dos mais pobres? O que os cidadãos estão sabendo sobre o projeto da destruição da previdência, da filantropia, e de outras conquistas sociais? Dizem que é reforma, mas sabemos que destruição nunca foi reforma. Por que essa pressa em votar projetos, por corruptos com os nomes muitas vezes citados na Lava Jato? Por que a sociedade está calada? 

Que o Ano Mariano nos ajude a remover a pedra para assumirmos a cultura do cuidado, da proteção e do acolhimento da vida que está em nós, na natureza e em Deus. Feliz Páscoa!ideias criativas para ganhar dinheiro

Dom Frei Severino Clasen

Ele nasceu em 1954, em Petrolândia (SC), foi ordenado padre em 1982 e bispo em 2005. Estudou Filosofia e Teologia em Petrópolis (RJ). Tem pós-graduação em Administração para a Organização do Terceiro Setor na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Além disso, foi coordenador do Departamento de Santuários da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e fez parte do Conselho Diretor do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), do Convento de São Francisco, em São Paulo.

Na 49ª Assembleia Geral da CNBB, dom Severino foi eleito presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, com um mandato de quatro anos.

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