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Dia mundial da água: qual água estamos tomando?

22/03/2019 - 17:08:26 - Atualizada em 22/03/2019 - 17:14:02
Charles Seidel

Hoje, 22 de março,  pela manhã, um notícia da NSC TV me deixou abalado. Os mananciais que abastecem nossas cidades podem estar contaminados por resíduos de agrotóxicos.

Amostras de água que é consumida em 100 cidades catarinenses, feitas a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), mostrou que 22 municípios (ou seja, 22%) do Estado recebem nas torneiras água com resquícios de agrotóxicos. Entre as substâncias encontradas, há produtos que estão proibidos em outros países no mundo, suspeitos de causarem danos à saúde, e outros que não têm parâmetros estabelecidos pelo governo brasileiro - o que impede avaliar se podem provocar algum dano.

Ainda segundo a reportagem, as cidades foram escolhidas com base na relação entre população, cultivo de alimentos e venda de pesticidas. Foram incluídos municípios na Grande Florianópolis, Oeste, Sul, Vale do Itajaí, Norte e Serra.

Em 13, das 22 cidades onde foram encontrados resquícios de agrotóxicos na água, havia mais de um princípio ativo presente. O município com maior variedade de pesticidas na água foi Rio do Sul, no Alto Vale, com sete substâncias diferentes. Itapema, no Litoral Norte, teve seis.

O MPSC pediu análise de 204 ingredientes ativos de agrotóxicos que são usados nas lavouras em Santa Catarina. O Ministério da Saúde estabelece, hoje, parâmetros para 27 dessas substâncias. Por isso, muitos dos agrotóxicos identificados não têm valores máximos definidos para a água de abastecimento no Brasil.

Veja quais são as cidades onde os resquícios foram encontrados, e quantas substâncias havia na água em cada uma delas:

7  em Rio do Sul; 6 em Itapema ; 5 em Mafra e Itaiópolis; 4 em Rio Negrinho; 3 em Coronel Freitas; 2 em Ibirama, Ituporanga,Porto União, Joinville, Schroeder, Orleans, Gravatal; e 1 em: Taió, Massaranduba, Balneário Gaivota, Tubarão, Balneário Rincão, Jaguaruna, Balneário Camboriú, Balneário Piçarras e Ilhota.

Contaminação chegou a águas subterrâneas

Uma das análises, em especial, chamou atenção da pesquisadora Sonia Hess. Em Coronel Freitas, no Oeste, a contaminação atingiu água que é retirada de manancial subterrâneo – o que alerta para as diferentes maneiras como defensivos usados na agricultura chegam à água.

Diante disso, essas análises confirmam hipóteses que já havíamos apresentado em várias palestras nestes mais de 30 anos que trabalho na Epagri. Portanto, está claro que temos que tomar ainda mais cuidados para evitar o despejo de agrotóxicos na água. Quer seja no preparo da calda, na aplicação ou mesmo no descarte da embalagem de agrotóxico. Muito já foi feito nesse tempo, pois hoje as leis ficaram mais rígidas, e os produtores estão mais conscientes. Porém essa pesquisa vem alertar que precisamos evoluir ainda mais.

Hoje temos uma possibilidade ampla de produtos menos tóxicos, e mais, produtos biológicos, que não causam mal a saúde de pessoas e animais. Vale a pena tentarmos e nos esforçarmos para que nossos filhos e netos tenham um mundo com menos veneno no prato.

Até a próxima.

Fonte:  NSC

Charles Seidel

Eng. Agrônomo, Prof. Universitário. M.Sc. Engª Agrícola. Gestão da água, climatologia e agroeocologia

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