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Colunistas

Retorno as origens

Em se falando de agricultura conservacionista de agricultura tropical, Santa Catarina é referência não somente para o Brasil, mas para o Mundo

18/10/2018 - 15:35:34
Charles Seidel

Nós fomos agraciados por projetos que trabalharam a questão do solo, sendo o principal, foi o Projeto de Recuperação, Conservação, e Manejo dos Recursos Naturais em Microbacias Hidrográficas, ou simplesmente, Projeto Microbacias/BIRD. As ações foram direcionadas para: aumentar a cobertura vegetal, melhorar a infiltração de água nos solos e controlar o escoamento superficial. Porém, depois dessa ação, achando que o produtor tinha assimilado o conceito, acabou-se por esquecer ao longo dos anos da essência do Plantio Direto.

Santa Catarina possui um relevo diversificado, onde predomina relevo fortemente ondulado ou montanhoso. E devido a característica de pequena propriedade, muitas vezes, para tornar viável a propriedade, o agricultor tem que utilizar áreas bem declivosas. Tal prática, se não forem aplicados conceitos de uso e manejo sustentável, acaba causando grandes perdas de solos férteis, que além de diminuir as produtividades, causam assoreamento e poluição dos mananciais de água, destinados na sua maioria ao consumo humano.

Além disso, muitas vezes temos problemas de enxurradas que acabam comprometendo as estradas rurais. Muitas vezes os produtores lembram de cobrar das prefeituras a falta de manutenção das estradas, porém, essas estão sendo vítimas do descaso do próprio produtor vizinho (ou dele mesmo) que deixa seu solo sem cobertura, e em eventos de chuva, acabam causando entupimento de bueiros ou mesmo cobrindo totalmente as estradas.

Fig 1 – Experimento simples que demonstra a importância da cobertura verde do solo

A regional de Caçador além de ser grande produtora de frutas , principalmente uva, também é grande produtora de hortaliças, sendo que o tomate é o carro chefe.  E recentemente estamos desenvolvendo uma prática de conservação resgatada do Plantio Direto, incentivado lá no Projeto Microbacias/BIRD, nos anos 80. Mas agora com ações voltadas ao plantio direto de Hortaliças. Tudo começou em na EECd/ Caçador no início dos anos 90. Vocês já ouviram falar do SISPIT, Sistema de produção Integrada de Tomate, que é um trabalho desenvolvido até hoje. Uma variação deste, é chamado de Sistema de Plantio Direto do Hortaliças – SPDH, que preconiza o plantio de diversas hortaliças, além do tomate, temos cebola, melancia, brócolis, couve-flor, repolho, batata salsa, abóbora, etc. Enfim, o conceito de Plantio Direto pode ser aplicado a várias espécies olerícolas.

Fig 2- Plantio direto de Cebola em palhada de aveia, Produtor Adilvio Ferronato, Rio das Antas

Diante disso, algumas ações estão sendo colocadas em prática, sendo que o Plantio direto possui Unidades de Referência Técnica (URT) em vários Municípios. Bem como com várias culturas. Além isso, o grupo do DSA de santa catarina, está se reunindo hoje em Campos Novos, para fazer o planejamento das atividades, resgatando o principal: O manejo correto do solo e da água.

Fig 3 – Palhada de aveia sendo rolada para Plantio de Tomate – Produtor Jandir Basegio – Rio das Antas.

Quando falei da necessidade de voltar as origens, é ao fato de que tínhamos todo o nosso solo coberto por matas, que os protegeram e manteram a fertilidade por milhares de anos.  Ao retirar essa “capa” protetora, em poucos anos podemos acabar coma fertilidade e capacidade produtiva do solo. Então sistemas de plantio direto, tanto de cereais, como hortaliças, é fundamental para manter o ecossistema agrícola equilibrado. Em anos como este, de muita chuva é fundamental fazermos o manejo adequado do solo. Atualmente as ações que preconizam o retorno ao manejo correto de solo estão dentro do Projeto: Desenvolvimento da Sustentabilidade Ambiental – DSA. Eu como coordenador regional me coloco a disposição para maiores esclarecimentos. Bem como, procure o técnico da Epagri do seu município se estiver interessado no tema.

Até a próxima!

Charles Seidel

Eng. Agrônomo, Prof. Universitário. M.Sc. Engª Agrícola. Gestão da água, climatologia e agroeocologia

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